terça-feira, 28 de setembro de 2010

Reunião clínica - SONAFE 27/09/2010


Nesta Segunda feira tivemos o prazer de assistir a mais uma palestra do Dr. Helcio Gongora, foi a segunda com o título "Coluna no Esporte".

A palestra basicamente abordou a questão do diagnóstico diferencial para Hérnias de disco, pois muitas vezes o paciente se apresenta em nosso serviço com o diagnóstico de Hérnia de disco, mas a sintomatologia não corresponde a este diagnóstico.



O problema é que o paciente sempre super valoriza a imagem da ressonância magnética e é difícil convencê-lo que a dor dele pode não estar relacionada com a hérnia obrigatoriamente.
Na verdade, na maioria dos casos temos dores miofasciais, síndrome do piriforme, pontos gatilhos ativados nos glúteos, e muitas outras possibilidades, todas elas foram muito bem abordadas pelo Dr. Hélcio.
Fica muito bem claro pelos artigos apresentados a importância de orientar o paciente sempre com exercícios, avd´s e alongamentos para fazer em casa, além de trazer o paciente cada vez mais para o tratamento com exercícios aeróbicos, o que melhora a irrigação sanguínea da região lesionada e evitando que o paciente entre num ciclo de dor e depressão.
Deixamos para uma próxima oportunidade uma discussão muito interessante sobre, qual é a real utilidade dos tratamentos posturais para a fisioterapia esportiva.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Aula na Fundação ABC.

Fiquei muito feliz em participar do último COMUABC - Congresso Médico Universitário do ABC 2010, com a palestra, "Força Dinâmica - A coordenação motora de Beziers no esporte." O tema abordado foi muito abrangente e após mais de uma hora de aula os alunos ainda demonstravam interesse para saber mais sobre o assunto. Comecei abordando procedimentos normais de avaliação e conduta e inseri no contexto vários conceitos estudados na fisioterapia e na medicina como, neurofisiologia, biomecânica, técnicas como, Kabat, GDS, RPG e citei autores importantes para o desenvolvimento de bases conceituais sólidas na posturologia como, Marcel Bienfat, Godelieve Denys-Struyf, Françoise Mézières e a própria Marie-Madeleine Beziers. Tudo isso foi apenas uma preparação para entendermos como aplicarmos estes conhecimentos na avaliação da marcha e corrida dos atletas e pacientes em geral e como tratar o paciente baseado nesta análise. Foi uma satisfação participar de tal evento.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

O fator causal de uma lesão.



Cada vez mais, percebo a importância de avaliar detalhadamente cada paciente e, principalmente, de orientá-lo muito bem logo após a avaliação. Parece redundância dizer isso, mas não é, pois na prática constatamos muitos pacientes chegando perto de fazer a décima sessão e achando que sua lesão já deveria estar sendo totalmente resolvida. Não funciona assim.

Geralmente o paciente recebe um pedido médico com 10 sessões prescritas e espera que estas sejam suficientes para a cura da sua patologia. Na verdade, muitas lesões ocorrem por uma série de fatores que já vinham se desenrolando silenciosamente, há algum tempo, sem demonstrar sinais ou sintomas. Num certo momento, um fator desencadeia a lesão sintomatológica e o paciente acredita que nunca tivera nada antes de o trauma ter ocorrido.

Isso não existe. Mesmo em lesões traumáticas, como numa entorse de tornozelo, percebemos que muitos pacientes desenvolvem sequelas relativas a instabilidades e erros da coordenação da marcha que levam a essas lesões secundárias (como uma tendinopatia dos fibulares) pela instabilidade já existente.

Assim, por mais que a lesão já esteja cicatrizada, depois de algumas sessões, temos que avaliar a necessidade de continuar o tratamento por mais tempo para chegar num ponto no qual o paciente já adquira estabilidade e força suficientes para manter uma articulação saudável e, dependendo do caso, avaliar a necessidade de um trabalho de manutenção a longo prazo.

Muitas vezes, fica difícil avaliar a etiologia (motivo) primária da lesão, mas é importante entender que toda lesão tem que ser respeitada como um evento, o qual geralmente não é isolado. É claro que certas vezes uma entorse é só uma entorse, pois o indivíduo pode ter pisado no pé de outro jogador, como costuma ser muito comum no volei e basquete, mas, na maior parte dos casos, existe uma série de eventos que leva à lesão.



Pensando em prevenção, temos sempre que frisar a necessidade de fortalecimento, com muito estímulo sensório motor. Sim, a famosa propriocepção, tão falada já nas academias, treinos pliométricos, pilates, alongamentos..., mas tudo isso muito bem orientado. Hoje, todo serviço de fisioterapia esportiva tem algum tipo de proposta de fisioterapia preventiva.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Movimento a favor da Cartilagem - Parte II

Dando continuidade ao assunto abordado na primeira parte desta Postagem, veja em http://accurafisio.blogspot.com/2010/04/movimento-favor-da-cartilagem.html,
é bom entender que não é qualquer exercícios ou movimento que beneficia realmente a articulação.
Inicialmente devemos compreender como funciona este mecanismo tão complexo que é a articulação, para isso aí vão alguns conceitos gerais da biomecânica.
A Cartilagem como já disse anteriormente serve como envoltório do osso na região articular com a função de diminuir o impacto e o atrito.
Os Ligamentos são estabilizadores estáticos, isto significa que eles servem de freio para o movimento exagerado mostrando o limite do movimento articular, geralmente ligando 2 ossos.


O complexo Músculo-Tendão funciona como estabilizador dinâmico, acelerando e freiando movimentos, o Músculo se insere nos ossos por meio dos Tendões. (Na figura: 25 é o músculo e 26 é o Tendão)



A partir daí podemos entender a importância de cada uma dessas estruturas para que o funcionamento da articulação aconteça de forma ideal.
Não adianta pensarmos apenas em fazer uma caminhada e musculação, estes dois componentes são importante para uma vida saudável, mas os exercícios de fortalecimento somados à treinamentos com equilíbrio e principalmente com foco na funcionalidade, ou seja, reproduzindo os movimentos que fazemos no dia a dia são muito mais eficientes.
Hoje temos muitas opções como Treinamento Funcional, Pilates, Treinamentos de força e equilíbrio na cama elástica e muitos outros tipos de trabalhos físicos, que nada mais são do que fortalecimento muscular reproduzindo situações cotidianas e no caso do atleta, situações do esporte, imitando o gesto esportivo.


Estes trabalhos físicos mais complexos são ideais para desenvolver uma melhor estabilização articular, com isso preservando as articulações por muito mais tempo, comparado à musculação, que tem como princípio apenas fortalecer o músculo sem se preocupar com a função articular e a coordenação do movimento.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Caso: Tendinopatia do Tendão Fibular Longo em Patinadora de Velocidade.


Esta Quarta-feira, dia 12/05 discutimos em reunião clínica na Clínica Accura o caso de uma paciente da Seleção Master de Patinação de Velocidade, que referiu inicialmente ter trocado de patins, por um patin com cano mais longo, pois estava "pronando muito", para melhorar a estabilidade.
Num primeiro momento pudemos perceber que o próprio patin estava provocando atrito dos fibulares do tornozelo direito por consequência da posição em eversão num apoio instável do pé direito, mas numa análise mais profunda percebemos que este era apenas um dos fatores, pois não adiantava nos preocuparmos com o atrito do tendão se o motivo primário é a instabilidade do tornozelo.
Ao avaliar com maior atenção vimos que o problema maior é a fraqueza do músculo tibial posterior, mas seguindo o conceito da Força Dinâmica, não iremos fortalecer o músculo que está fraco e sim melhorar a relação apoio/propulsão.
Correlacionando com o tipo de atleta que vemos com maior frequência, o corredor, pudemos verificar que realmente com esta paciente em específico acontece o mesmo que na corrida, o membro que propulsiona melhor é o mesmo do pé que tem a pior base no apoio unipodal.
Portanto, parte do trabalho sensório-motor é feito de patin, parecido com o trabalho de Força Dinâmica, mas imitando o gesto esportivo da patinação, com o objetivo de melhorar a propulsão do membro inferior esquerdo e o apoio do pé direito (membro acometido).

Logicamente que fazemos todos os exercícios bilateralmente, pois o objetivo é sempre chegar o mais próximo da simetria da propulsão e apoio possível.
Importante salientar também que orientamos a atleta, durante o tratamento, a termo-moldar o patin para ajustar melhor ao pé dela, o que de grande valia na melhora da dor para o retorno aos treinos.
Ao lado, Alguns vídeos do Youtube correlacionados.
Agradeço ao Paulo Marques, Auxiliar Técnico da Seleção Brasileira de Masters e treinador que acompanha de perto esta atleta, por permitir que acompanhasse o treinamento tirando fotos e trocando experiências. Graças a profissionais como ele, interessado no intercâmbio de conhecimentos, o esporte e a fisioterapia esportiva evoluem lado a lado.

Notícia interessante sobre nutrição.

Sei que nosso objetivo aqui no blog não é falar sobre nutrição, até porque esta não é minha área, mas como muitos visitantes são da área esportiva e da saúde, esta pode realmente ser uma notícia interessante de se ler e não deixa de ser um alerta de como devemos observar a fundo o que estamos consumindo.

acessem o link:


http://ativo.uol.com.br/Canais/Pages/Acucaresdobemedomalseraqueissoexiste.aspx

Movimento a favor da cartilagem.


Tenho visto muitos pacientes em meu consultório chegando com diagnóstico de Artrose, Osteoartrose, Lesão na cartilagem (Lesão condral) e o pior é que eles abrem os exames e lêem o resultado da Ressonância Magnética com descrições como, degeneração crônica, afilamento da cartilagem e outras informações que para quem é leigo no assunto só servem para assustar. É bom esclarecer que a cartilagemn é como um envoltório do osso na região articular que serve para minimizar o atrito na articulação e ajuda a absorver o impacto.

O fato é que muitas vezes diagnósticos como estes têm que ser avaliados clinicamente para correlação com os sintomas, a partir daí começamos a definir o tamanho do problema.

Ao contrário do que se pensava antigamente fazer repouso nem sempre é a solução, pois atividades físicas bem orientadas podem ajudar até mesmo a melhorar as condições fisiológicas de uma articulação que já tenha alguma alteração.

Hoje já se sabe que o movimento é extremamente importante para a cicatrização e drenagem de uma articulação que tenha uma lesão ou simplesmente líquido (derrame intraarticular). Existem também muitos tratamentos para alguns tipos de lesões como o PRP (Fator de Crescimento), Transplante de Condrócitos, Infiltrações com medicamentos que tratam a articulação em médio prazo, diferentemente de infiltrações de Corticoesteróides que aliviavam a dor na hora e depois traziam efeitos colaterais a longo prazo.

Portanto quando bem orientado o exercícios é essencial para o bom funcionamento das articulações.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

CURSO DE FORÇA DINÂMICA.


Para os que se interessaram pela técnica de Força Dinâmica, o Curso se realizará à partir do dia 17 de abril.

Entrevista e depoimentos na revista do Sesc:

http://www.sescsp.org.br/sesc/revistas/subindex.cfm?Paramend=1&IDCategoria=6530

Vídeos no programa Falando nisso:

http://rcpt.yousendit.com/847921823/4292adc247f7f39c22e589fcbeb61720

http://www.yousendit.com


terça-feira, 6 de abril de 2010

DIVULGAÇÃO DE CURSO.


A quem interessar estou divulgando este Curso de Medicina Esportiva, pela programação parece um curso muito bom com palestrantes de alto nível.

Se não conseguir visualizar no folder ao lado entre no link:

www.cseventos.net

sexta-feira, 26 de março de 2010

Lesões mais comuns no ciclismo.


No ciclismos em geral temos que separar muito bem dois tipos de lesões, as traumáticas, por quedas, e as causadas por esforços repetitivos.

É claro que nas quedas a maior parte das lesões importantes são as contusões (batidas) que ficam apenas com hematomas e edema (inchaço), as escoriações que são os ralões, e finalmente as fraturas das mais variadas, costelas, clavícula, vértebras, e muitas outras, dependendo apenas da forma como o ciclista cai e do estado do local por onde ele está passando. Quanto à estas lesões não temos muito o que fazer, apenas tomar o máximo de cuidado com muita atenção e arriscando o mínimo possível, principalmente em treinos que não tem nada em jogo.

Já as lesões de repetição ou por esforços repetitivos se caracterizam por serem na maior parte crônicas, pois geralmente ocorrem por excesso de treinos ou mau posicionamento da bicicleta ao ciclista ou ainda pelos dois fatores somados que é o mais comum. São lesões como as tendinopatias (tendinites) patelares, do calcâneo, lesões musculares em panturrilhas e na musculatura da coxa e em alguns casos dor lombar e na cevical. O desgaste das articulações também pode ocorrer quando o ciclista pedala por anos com desvios articulares importantes, um exemplo disso é a questão de pedalar com os joelhos rodados para dentro que pode provocar desgastes da cartilagem e/ou menisco do joelho.

Para evitar esse tipo de lesão existem algumas regras básicas, mas infelizmente não existe uma fórmula que sirva para todos, pois as medidas são muito pessoais, como diz Andy Pruitt em seu livro (Andy Pruitt´s Complete Medical Guide For Cyclists), "Os ajustes da bicicleta são como um casamento entre ela e o Ciclista".

Estes ajustes tem nome, é o Bike Fit, que se torna cada vez mais importante, não só para o profissional, mas para qualquer um que queira ter conforto ao pedalar e assim evitar lesões, que é o mais importante.



O Bike Fit não visa só a melhora da performance, isso é uma consequência desses ajustes que são feitos para melhorar o conforto. Agora, é importante frisar que apenas fazer os ajustes e esperar que as lesões se resolvam sozinhas pode ser um erro grave, pois quando a lesão já existe ela tem que ser tratada, treinar com lesão, mesmo tendo feito o Bike Fit pode agravar o quadro.